lunes, 20 de febrero de 2012

Terremotos e Tempestades Solares - II

No post anterior concluimos que não era posível que a atividade solar na forma de explosões ou ejeções de massa pudesse contribuir com a ocorrência de terremotos: sendo os terremotos um fenômeno originado no interior da Terra, não vemos como as ondas electromagnéticas ou as partículas carregadas poderiam furar a rocha para chegar até a base onde as placas tectônicas repousam, e chacoalha-las.  Eu procurei tempo atrás se havia algum  aumento na frequẽncia dos terremotos e não achei qualquer tendência, como podem ver nos posts anteriores, aqui e aqui. No entanto, existem trabalhos científicos que concluem que essa interação existe.  Neste post vamos analisar alguns desses trabalhos. Ele será mais extenso que os outros e bastante mais técnico.  É necessário se   queremos entender a relevãncia dos estudos.

Na verdade são muito poucos os estudos sobre o tema, menos de 30 nos últimos 50 anos.  A maioria deles foram publicados por cientistas soviéticos (por exemplo A. D. Sytinskiy) em revistas da ex-União Soviética, em russo, alguns têm traduções ao inglês em revistas de difícil acesso.   Minha busca está lonje de ser apurada, mas não creio me equivocar quando afirmo que não é um campo muito fértil de pesquisa e que é levado adiante por poucos grupos independentes esparços no mundo e que não convenceram ainda ao resto da comunidade.

Vou comentar dois trabalhos que pude ler completos. Não vou entrar nos detalhes, mas comentar o que me interessa no contexto deste blog: os estudos têm alguma relação com as profecias maias ? 

John F. Simpson publicou em 1967 um estudo titulado Solar Activity as a triggering mechanism for earthquakes (A atividade solar como mecanismo ativador de terremotos), na revista Earth and Planetary Science Letters, volume 3 (1967), páginas 417+. Simpson usou um banco de dados de terremotos sem distinção em magnitude, entre 1950 e 1963 e comparou sua frequência diaria com o índice de Zürich (ou de manchas solares), o fluxo solar em 10,7 cm (chamado Componente solar lenta) e um índice do campo magnético terrestre llamado kp. Ele observa que passados dois anos do máximo de atividade solar há um aumento na  ocorrência de terremotos.  Procurando correlacionar estes índices descobre uma relação cúbica entre ambos sendo que a maior frequência de sismos dá-se quando o índice de manchas solares é em torno de 180 e o fluxo da componente lenta solar de 200. Aumentar os índices acima destes valores diminui a frequência de terremotos.  Embora a relação estatística parece bem demonstrada, a importância da mesma não demonstra ser chave na dinâmica dos terremotos: enquanto a média de sismos diários é de 4,6,  a atividade solar os incrementaria até 5,5. E lembremos que neste trabalho foram considerados os sismos de qualquier magnitude.  O próprio autor diz (tradução minha)

Não há dúvidas que a relação causa - efeito precisa entre atividade solar e  terremotos é que a primeira atua como mecanismo  ativador dos segundos. A distribuição geográfica e as relações tectônicas inibem qualquer dependência causal subjacente entre terremotos e atividade solar. No entanto, é inevitável concluir que o ciclo de atividade solar é significativo embora de forma alguma exclusivo na regulação temporal da liberação de energia  acumulada na crosta terrestre. 
O segundo trabalho, más recente, foi realizado por vários autores da Rússia e Bulgária: Long-period trends in global seismic and geomagnetic activity and their relation to solar activity (Tendências de longo periodo da atividade sísmica e geomagnética e sua relação com a atividade solar), por S. Odintsov, K. Boyarchuk, K. Georgieva, B. Kirov e D. Atanasov, na revista Physics and chemistry of the earth, volumen 31 (2006), página 88+.

Neste trabalho os autores usam diferentes bancos de dados. No primeiro caso é um levantamento dos terremotos na área do Mediterráneo até o século X, realizado por meio de estudos históricos e outras fontes indiretas (ou seja, não há informação da magnitude dos mesmos). Para comparar usam estimações do índice de manchas a partir do ano 300 (o índice só foi estabelecido no século XIX e podemos calculá-lo mais ou menos corretamente desde o ano 1609).  O trabalho compreende então os anos 300 até 1000 comparando o total de terremotos durante um período de 11 anos com a estimação do índice para o máximo de atividade. O resultado pode ser visto na figura abaixo.
Número de terremotos acumulados en 11 anos (linha cheia)
e índice de manchas estimado (linha tracejada).
À primeira vista pode impressionar, mas, temos que ressaltar que os autores sumaram todos os terremotos num período de 11 anos apagando qualquer variação intra cíclica.  A conclusão é que naqueles ciclos de maior intensidade durante o máximo de atividade, podem aumentar significativamente os terremotos, embora não sabemos em qual momento do ciclo. O coeficiente de correlação entre ámbas as séries é 0,47, não muito alto em termos estatísticos, embora a probabilidade de ser ao acaso é inferior a 1% (p<0.01). A relação parece, apenas, sugestiva.

Como segundo passo os autores analisam os terremotos entre 1900 e 1999 e comparam a ocorrência de sismos com o índice de manchas.  Eles encontram um aumento na quantidade de terremotos durante o mesmo ano do máximo solar, e três anos depois também.  Vejam o gráfico.

A linha cheia representa o número anual de terremotos  de magnitude maior que 7 em médias tomadas durante um ano, relativos ao momento de máxima atividade solar (año=0).  A linha tracejada é a média anual do índice de manchas.  Têm dois picos, no ano=0 (max 1) e no ano=3 (max 2).  Também à primeira vista o gráfico impressiona, mas gostaria destacar o seguinte: a média anual de terremotos é 20 com um desvio padrão S=7.  A média de terremotos durante max1 é 22,6 com S=8 e o de max2 é 21,3 com S=9.  Estatisticamente uma distribuição aleatória tem uma probabilidade de quase 70% de estar entre a média mais ou menos o desvio padrão S. Em outras palavras, a figura é sugestiva, mas estatisticamente irrelevante porque as três médias têm grande probabilidade de serem iguais.   O artigo ainda continua com outras análises, intentando mostrar a relação causal (supõem dois drivers: ejeções de massa coronal e o vento rápido solar) mas eu vou parar por aqui, porque seus argumentos não terminam de me convencer e também não quero os leitores fugindo em massa desta página.

Conclusões. Simpson encontrou um pico de frequência de  terremotos dois anos depois do máximo do ciclo solar,  já Odintsov e colegas, encontram o pico de sismos durante  o mesmo ano do máximo.  Os trabalhos são contraditórios.  A relação, tão sequer estatisticamente, está lonje de ter sido comprovada.

E a respeito das profecias de 2012?  Aceitando as conclusões de Simpson, os efeitos só se farão sentir em 2015 (dois anos depois do máximo esperado para maio de 2013). Se seguimos a Odintsov, por outro lado, a primeira correlação que eles obtêm mostra que o número de terremotos é proporcional ao índice de manchas durante o máximo: o presente ciclo solar é muito pobre em manchas, espera-se um índice  máximo um terço menor que o anterior, que já foi um terço inferior a seu predecessor.  O máximo de atividade solar dos últimos 400 anos se deu durante o ciclo cujo máximo aconteceu na década de 50.  Então, se sobrevivemos  àquela época, creio que poderemos sobreviver à atual. 

Terremotos e tempestades solares - I

Uma versão sacude a Internet e até ganhou destaque na mídia nos últimos tempos.  Tomei conhecimento dela a semana passada assistindo o Globo Reporter,  programa que me gerou um grande desgosto e por isso abri um post .

Reconheço que é necessária muita imaginação para pensar que os terremotos podem ser produzidos pela atividade solar, seja por meio de explosões ou ejeções de Massa Coronal. Seguramente por esse motivo é que me escapou esta especulação que é tão útil para os que aguardam o fim do mundo em dezembro de 2012.

Esquema do interior terrestre. Os continentes
estão na crosta (litosfera).
(Obtido da Wikipedia, el 14/02/2012)




Vejamos. Nossa Terra não solidificou completamente, seu núcleo está a alguns milhares de gráus  e a maior parte de seu interior é uma espécie de flúido viscoso.  Nosso chão, a base sobre a que estamos parados, sobre a que construimos prédios de centenas de metros de altura e sobre a que erguem-se montanhas de milhares de metros, o assento de nossa confiança no Universo, é o setor mais fino do Globo, uma camada de centenas de km que flutua acima desse mar betuminoso de milhares de km de profundidade. A litosfera, como se chama esta camada sólida que é também nosso solo, está dividida em placas tectônicas. E estas placas se movimentam de acordo a pressões internas e das placas vizinhas.  A energia para gerar este movimento resulta das forças  que surgem do calor interno e do movimento por convecção do manto terretre.  Lentamente, ao longo de séculos, as placas vão modelando a superfície da Terra.  Esse movimento, que não passa de alguns milímetros por ano no melhor dos casos, necessariamente produz tensões, a maior das vezes insensíveis para nossos sentidos.  De vez em quando, no entanto, a energia liberada é, para nossa pequena escala humana, demasiadamente grande: nossos edifícios quebram-se em pedazos e caem, nossas estradas se quebram ao longo de imensas ranhuras, e, principalmente, nosso sentido de segurança se ve abalado.  Os jornais enchem de manchetes gigantescas: "Abalo sísmico de magnitude XXX acontece na M e deixa NNN mortos". Os tsunamis, são as ondas marinas produzidas como consequência de alguns terremotos.
Velocidad de deriva de los continentes.
(Obtenido de la Wikipedia, el 14/02/2012)

Ou seja, um terremoto surge pela atividade interna da Terra. A única forma de alterar este  processo natural seria modificando a dinâmica interna. De qualquer forma eu acho que as escalas temporais são bastante grandes, centenas de anos no mínimo, se não milhares ou ainda mais: uma excitação hoje, se faria sentir só dentro de milhares de anos. Então, onde entra uma  perturbação externa como disparador de terremotos? Em lugar nenhum. 

As explosões solares são processos de liberação de energia na forma de ondas electromagnéticas (luz), e partículas subatômicas de alta energia (elétrons e prótons). Nem as ondas electromagnéticas conseguem atravezar a casca terrestre (nem sequer chegam no fundo dos oceânos) nem as partículas subatômicas penetram além de alguns km.  Se nenhuma das duas formas de energia chega ao manto, não têm como incidir na produção de terremotos. Então a resposta à pergunta do título deste post é um  NÃO unânime.

Mas... sutil é o Senhor, dizia Einstein. Alguns pesquisadores acreditam ter achado alguma evidência de que as explosões solares podem disparar terremotos.  Esse tema nos ocupará no próximo post. Por enquanto, continuamos com a especulações,

Há um tipo de partícula que chega até o próprio núcleo terrestre: o neutrino.  O problema é que o neutrino, a partícula mais leve do Universo, e que não possui carga, quase não interage com a matéria.  Por esse motivo é que escapa do interior ainda mais denso do Sol e atravesa a Terra como se fosse um papel de seda. E por esse motivo os espertos roteiristas do filme 2012 imaginam uma mudança no comportamento dos neutrinos que aumentam seu intercâmbio com o núcleo terrestre, incrementando sua temperatura, o que se traduz em novos movimentos tectônicos e assim numa interminável, imediata  e incrível sucessão de gigantescos terremotos.

Só que os neutrinos são produzidos em grande quantidade no núcleo solar sem relação com as explosões, fenômeno eminentemente superficial.  Os neutrinos são un subproduto da fusão nuclear que, apartir de quatro prótons, forma um núcleo de He4 no chamado ciclo p-p. 

De qualquer forma não há de que se preocupar, os detectores de neutrinos não encenderam nenhum sinal de alarma.  E isso que, é bom lembrar, em torno de um milhão (1.000.000) de neutrinos atravesam nosso corpo a cada segundo. 

sábado, 11 de febrero de 2012

Glofecias 2012: o Cambalache Global

Se alguem faltava nesta história de profecias maias era a TV Globo.  Na sexta feira 10 de fevereiro o Globo Reporter falou delas e dentre os entrevistados, minha colega do CRAAM, Adriana Válio.  Em 60 minutos tivemos as testemunhas de pessoas no Brasil e nos EUA que estão esperando a catástrofe do 21 de dezembro de 2012.  

Num pequeno vilarejo em Alto Paraiso (GO), a comunidade se prepara espiritualmente acreditando que ali, no alto da serra os terremotos, tsunamis ou tempestades de 21 de dezembro de 2012 não os atingirão.  Conhecemos um alemão e uma suiça que abandonaram suas confortáveis residências europeias pela segurança e natureza do cerrado goiano. Também uma bancária bahiana que foi pra lá  esperar o fim do mundo em 2000, que como todos nós sabemos não chegou, se estabeleceu como corretora de imóveis e acredita que agora há maior certeza do Fim do Mundo. No momento, contínua vendendo propriedades, Carpe Diem, claro.  Por último há um engenheiro elétrico, físico quântico autodidata, também especialista em explosões solares que constroi uma casa ecológica para se presevar da catástrofe que produzirá a crescente atividade solar que provocará um caos geomagnético, terremotos e demais pragas naturais que ele assegura acontecerão.  Do Rio de Janeiro, uma economista se muda para o Mato Grosso do Sul esperar o Apocalípse, longe da praia que será invadida por uma onda gigante que destruirá a cidade.

Nos EUA, uma familia armazena alimentos e se prepara para fugir a um refúgio natural em meio de um alerta nuclear.  Outra americana também acredita que o Fim do Mundo está próximo, mas por causas econômicas, por isso também guarda alimentos para sobreviver vários meses.  

Em meio deste coro de afirmações supersticiosas apocalípticas, alguma voz moderada?  Sim, uma astróloga que declara que haverá mudança, mas que ela será espiritual.  Ou uma comunidade mística que segue um calendário lunar e também acredita que em 21 de dezembro acontecerá uma mudança espiritual para o bem, sem explicar qual é a relação entre as fases da Lua, base do seu calendário, e o Solstício (fenômeno evidentemente solar) que segundo os modernos intérpretes da antiga cultura mesoamericana marcará o fim de uma era.  

E alguma voz do mundo científico?  Misturados com a turma alarmista, um arqueólogo da UFMA nos explica que os maias esperavam o retorno de um Deus, mas não o fim do mundo.  Crianças saindo do Planetário do Rio afirmam que o Mundo não irá acabar porque já foi anunciado muitas vezes seu fim e nunca aconteceu e um astrônomo diz que o Apocalípse será dentro de  4,5 bilhões de anos. Mas isso é bem no início do programa. 

Depois das testemunhas daqueles que têm certeza que o Sol enviará um raio mortal, um funcionário da NASA americana, falando em espanhol, tenta tranquilizar: "nada de grave acontecerá". E no centro de São Paulo, a Dra. Adriana Válio, professora universitária com muitos anos de estudar científicamente explosões solares, com formação em centros acadêmicos nacionais e internacionais e publicações em méios especializados, é mostrada enquanto monta um instrumento de observação. Com uma expressão preocupada, Adriana diz: "os efeitos na Terra são sérios" e passa a enumerar os riscos de apagões, de corte nas comunicações, etc, enquanto movies de erupções solares captadas pelo Solar Dynamic Orbiter nos fazem arrepiar.  Quanto durou a intervenção da única especialista em atividade solar entrevistada pela Globo?  Menos de dois minutos e, no máximo, duas frases, porque o resto foram imagens.  As frases foram tiradas de contexto. As frases foram utilizadas para reforçar a mensagem apocalíptica.

Para fechar, um paulistano, no meio da maior urbe americana, se prepara em casa para enfrentar a falta de energia elétrica no final do ano.  Essa é a conclusão da reportagem: melhor se preparar, o fim está a chegar.

No início do século XX, na Buenos Aires  inundada de imigrantes europeus de baixos ingressos, proliferou um tipo de loja parecido com o bazar árabe, mas de má reputação: o cambalache. Enrique Santos Discépolo, autor de excelentes tangos, estendeu seu reinado ao compor uma milonga com esse nome,  comparando o nascente século XX com os cambalaches onde tudo se misturava: "tudo dá igual, nada é melhor, é o mesmo um burro que um ilustre professor" diz desapontado Discépolo. E resume seu desencanto com a modernidade dizendo: "Igual que na vitrine irrespetuosa dos cambalaches bagunçou a vida,  e ferida por um sabre sem rebites vi chorar a Biblia juntou ao aquecedor."

Chegando o Carnaval a Globo decidiu sair na rua com um bloco cheio de falsos profetas, o Bloco das Glofecias: cambalache que mistura grotescos e patéticos  personagens que em vez de marchinhas e sambas entoam marchas fúnebres,  com  profissionais que dedicam sua vida a estudar cientificamente a natureza.  A voz destes últimos ficou apagada pelo barulho da bateria supersticiosa.  Espero que para a maioria que assistiu tamanha demonstração de manipulação informativa, tenha ficado a ideia de que tudo não se trata mais do que da Novela das 11, ou melhor, de uma Sessão da Noite, com um filme de roteiro incomprensível.

miércoles, 1 de febrero de 2012

As Sete Profecias Maias: IV - Vênus e a Atividade Solar

Segundo o site Profecias Mayas, a quarta profecia mistura a órbita de Vênus com a atividade solar.  Ele afirmam (ver o texto completo em espanhol aqui)
Os maias basearam seus cálculos no giro de quinhentos e oitenta e quatro dias do planeta Vênus para calibrar seus cálculos solares. Vênus é um planeta facilmente visível no céu porque sua órbita fica entre a Terra e o Sol. Eles deixaram registrado no códice Dresden que cada 117 giros de Vênus marcados cada vez que aparece no mesmo sítio no céu, o Sol sofre fortes alterações, aparecem enormes manchas ou erupções de vento solar. Advertiram que cada 1.872.000 kines ou 5.125 anos acontecem alterações aínda maiores e o homem precisa ficar alerta, é o presságio de mudanças e destruição.
Como mencionamos num post anterior, usando um trânsito de Vênus,  pode-se determinar a distância Terra - Sol, mas não temos evidência alguma de que exista qualquer relação com a atividade do Sol. A profecia vai ainda mais longe y afirma que a cada 117 giros de Vênus [...] o Sol sofre fortes alterações, aparecem enormes manchas ou erupções de vento solar.  Interpreto que os 117 giros de Vênus, referem-se ao seu periodo sinódico, ou seja, o tempo que leva o planeta em voltar à mesma posição a respeito do Sol quando é  observado desde a Terra. Como o texto corretamente diz, são quase 584 dias que multiplicados por 117 dá 68.328 dias, mais ou menos 187 anos.  Este periodo não corresponde a nenhum ciclo solar conhecido.  O Sol aumenta e diminui a atividade de suas camadas externas (chamadas em conjunto de atmosfera) num periodo de 11 anos em média, durante o qual sua superfície passa de estar bastante coberta de manchas (máximo) a não ter praticamente nenhuma (mínimo).   O texto segue dizendo :

No códice Dresden também aparece o número 1.366.560 kines que tem uma diferença de um katun, 20 anos, com o número que aparece no templo da cruz, correspondendo esta diferença ao periodo do tempo que chamavam tempo de não tempo, que é nosso tempo  desde 1992, as mudanças na atividade do Sol serão mais fortes, porque as proteções que temos no nível planetário estão enfraquecendo, o escudo eletromagnético que nos protege está diminuindo sua intensidade.
Que dizer, segundo a suposta profecia, há vinte años que a atividade solar está aumentando e as defesas terrestres estão enfraquecendo.  No entanto é exatamente o contrário que estamos observando! Deste tema falamos num post anterior.  O escudo eletromagnético deve ser o Campo Magnético terrestre, cuja intensidade diminuiu levemente nos últimos 100 anos, mas longe está de ser preocupante.  Uma descrição do mesmo pode ser encontrarla aqui. Por último, para fundamentar a afirmação de que as defesas están ficando cada vez mais fracas, o texto afirma:
A produção de ozônio na ionosfera que impedia os raios ultravioletas, diminuiu e  apareceram enormes buracos sobre os pôlos permitindo a chegada dos raios do Sol na superfície do planeta. A atividade do homem está alterando a composição da atmosfera, produzindo o chamado efeito estufa que aprisiona o calor e aumenta a temperatura. Todos estes fenômenos, acontecendo simultaneamente, produzirão alterações no clima e um aumento de temperatura nos mares, o que derretirá mais rapidamente o gelo nas calotas polares. Isto causará um aumento no nível dos mares, provocando inundações nas regiões costeras e a modificação morfológica dos continentes onde vivemos. Os maias escreveram que esta seria a maneira em que nosso planeta será limpo e reverdecerá por toda parte.
O problema da redução da camada de Ozônio, também conhecido como Buraco de Ozônio, tem uma origem bastante anterior ao año 92.  Em 1978 foi assinado o primeiro acordo para chegar a uma solução posível: a elimininação dos  gases baseados no cloro-fluor-carbono (CFC). Os satélites que monitoram a atmosfera parecem mostrar que o buraco desapareceu, embora não descartam retornos produzidos por gases remanescentes.    Depois, os profetas afirmam que a atividade do homem está [...] produzindo o efeito estufa.  Este é um erro típico.  Vou me explicar com mais de detalhes abaixo.

Sem o efeito estufa, a Terra seria como a Lua, um enorme deserto com picos de temperatura de 150 C y mínimas de -150 C.  O efeito estufa é absolutamente necessário para o desenvolvimento da vida e não é produto da atividade humana, muito pelo contrário é completamente natural.  De todos os gases atmosféricos, o mais destacado é o vapor d'agua, com mais de 33% e até um 66% de responsabilidade no processo.  Em segundo lugar está o dióxido de Carbono, CO2, com um 9 a 26%.  Em terceiro lugar encontramos o Ozônio!  O mesmo gás que parece ser tão benéfico para deter os raios ultra-violetas, pode aumentar o efeito estufa.  Hoje em dia discute-se (alguns acreditam que as evidencias já são incuestionáveis, mas esse é outro debate) se a queima de combustíveis liberou uma quantidade de CO2 tão grande que está acelerando o efeito, aumentando as temperaturas da superfície da Tierra.  Se assim for, esperariamos que estes últimos anos, enquanto a profecia se aproxima, o efeito fosse mais claro.  E no entanto acontece o contrário, como comentamos no post anterior, a temperatura média da Terra deteve o incremento nos últimos 10 anos, apesar de que as emisões de CO2 não param de aumentar.

O texto alerta ainda que  o derretimento das calotas polares produzirá um aumento do nível do mar.  Outro erro, as calotas polares estão flutuando, logo, se derretessem, não criariam elevação nenhuma.  O gelo da Antártica, por outro lado, está aumentando, não diminuindo.  O aumento do nível dos oceanos pode ser ocasionado pelo derretimento das geleiras.  Embora esse é um tema bem controverso. 

A última frase resulta incomprensível de acordo com o quadro retratado: os maias disseram que esta seria a forma em que nosso planeta seria limpo e reverdeceria por toda parte. Ora, se a temperatura do planeta aumenta, e a camada de Ozônio desaparece, deixando passar mais radiação ultra-violeta, e se a atividade solar aumenta gerando grandes riscos para a humanidade, como pode ser que, de repente, o Mundo se torne uma imensa floresta?  


Mais elementar que isto, minha pergunta é, por qué os maias  tiveram a capacidade de prever a ascenção e  queda de uma civilização ocidental aínda desconhecida por eles e não alertaram  para os perigos que traria a invasão espanhola que iria acontecer poucos anos mais tarde?  Por qué estariam tão preocupados con uma civilização que já não mais seria a própria, quando  pocos anos mais tarde a sua seria ameaçada de extinção?   Ou será que nunca imaginaram que a própria existência estava em grave perigo? Não é a melhor carta de apresentação para seus profetas. 



lunes, 16 de enero de 2012

As Sete Profecias Maias: III - O aquecimento global

Dando sequência a análise das sete profecias maias segundo o site Profecías Mayas, a terceira fala do Aquecimento Global (a tradução é minha):
  
A terceira profecia maia diz que uma onda de calor aumentará a temperatura do planeta, produzindo mudanças climáticas, geológicas e sociais numa magnitude sem precedentes, e a uma velocidade assustadora, os maias dizem que o aumento da temperatura dar-se-a pela combinação de vários fatores, um deles gerados pelo homem que em sua falta de sincronismo com a natureza só pode produzir processos de auto destruição, outros fatores serão gerados pelo sol que ao acelerar sua atividade pelo aumento de sua vibração produz mais que radiação, aumentando a temperatura do planeta.
Quer dizer, segundo o texto acima, os maias preveram que em 2012 a futura civilização, desconhecida ainda por eles porque o homem europeu ainda não tinha aportado na América, iria a produzir uma desordem climática universal catastrófica, ajudado por uma atividade solar inédita, da qual os maias jamais mostraram conhecimento algum. 

Como já comentamos no primeiro post desta série (As Sete Profecias Maias: I - O aumento da atividade solar) a atividade solar está em clara diminução desde 1989 em diante.  Ou seja, esta parte da terceira profecia é incorreta.

No entanto a referência a um aumento da temperatura produzida pela atividade humana pareceria estar de acordo com as notícias que diariamente recebemos da mídia:  hoje em dia, a maior parte das catástrofes naturais, sejam tornados, inundações ou secas, são atribuidas ao Aquecimento Global ou, em sua forma mais generalizada ao Câmbio Global. O filme O dia depois de amanhã colocou frente à opinião pública de milhões de pessoas do mundo inteiro como seria  complexa essa trama que em algumas regiões traria um aumento de temperatura enquanto que em outras sucederia exatamente ao contrário. Ao mesmo tempo o Painel Intergovernamental para o Câmbio Climático, redige e divulga relatórios periodicamente baseados em estudos científicos alertando sobre os riscos do aumento da temperatura global, que poderiam fazer com que nos próximos 100 anos, se o ritmo não se alterar, centenas de milhões de pessoas devam abandonar suas casas por culpa do aumento no nível do mar, outros tantos morram por culpa de epidemias provocadas por um aumento da população de insetos, e outros mais morram de fome por culpa das estiagens prolongadas, etc... Um cenário apavorante.

Embora esta é a história oficial, eu tenho alguns problemas com a interpretação.   Num post anterior (Apocalipse 2009) já me expressei a respeito.  E tem mais,  a temperatura global não aumentou significativamente nos últimos 10 anos. Para ilustrá-lo apresento no gráfico abaixo, gerado por meio de aplicativo do site Wood for Trees,  a anomalia térmica (variação de temperatura respeito do valor normal) ao longo dos anos 1950 até 2010.  Os dados graficados na cor vermelha são produzidos pela NASA (gistemp) e em verde pela Universidade de East Anglia no Reino Unido (hardcrut).  Do gráfico percebe-se um aumento da temperatura entre 1950 e 2010 de aproximadamente 0,6°C. Como, segundo o IPCC, o aumento entre 1905 e 2005 foi de 0,74°C, segue que a maior parte aconteceu depois de 1970 e é atribuido à atividade humana.


No entanto, olhando detenidamente a figura, vemos que o aumento ocorreu entre 1970 e 2000 aproximadamente, depois a temperatura estabilizou.  Para corroborá-lo, graficamos abaixo o período 1990 a 2010 unicamente.

Observem que em 1998 houve um pico de temperatura que começa em 1996 que é seguido de varios anos de baixas, tendência que se se inverte em 2001.  A partir  desse ano há esporádicos máximos (2002, 2007) como mínimos (2005, 2008). A tendência, no entanto, não é clara. Ou melhor ainda, a tendência é a estabilidade. Esta estabilidade na temperatura média do planeta está preocupando aos climatólogistas porque não se enquadra no modelo de efeito estufa: no mesmo período as emissões de CO2, gás considerado responsável pelo incremento do efeito nas últimas décadas,  aumentou um 45% atingindo um nível recorde em 2010 segundo estudo divulgado pelo Centro Europeu Conjunto de Pesquisas  (JRC).

No que nos ocupa aqui, com un fenômeno La Niña muito forte, é muito improvável que 2012 mostre um aumento da temperatura global.  No haverá então nenhuma onda de calor.  É difícil saber o que virá nos próximos anos. Pode-se argumentar que se não acontecer em 2012, será em 2050 ou em 2100, como alerta o IPCC no último relatório, se medidas não são tomadas.  Mas, qual é valor preditivo de uma profecia esperada em 2012 que acontece em 2100?  

Esta é mais uma confirmação de que as supostas profecias maias, nada mais são que um telão onde projetamos nossos próprios temores.

sábado, 7 de enero de 2012

As Sete Profecias Maias: II - O eclipse de 11 de agosto de 1999

A segunda das sete supostas profecias maias, segundo o site Profecias Maias,  diz que no nível humano as mudanças començaram em 11 de agosto de 1999 quando aconteceu um eclipse solar.  A particularidade deste eclipse foi a disposição dos planetas em torno da Terra.  Em palavras do site (tradução minha):
[...] foi um eclipse sem precedentes na história, pelo alinhamento em cruz cósmica com centro na terra de quase todos os planetas do sistema solar, se posicionaram nos quatro signos do zodíaco, que são os signos dos quatro evangelistas, os quatro custódios do trono que protagonizam o Apocalipse segundo São Jõao.
Para ilustrar esta afirmação mostram as seguintes figuras.




Apesar que as figuras são de pouca qualidade, podemos ver na superior a distribuição em cruz: por encima da Terra estão Urano e Netuno, embaixo, o Sol, Mercúrio e Vênus. A direita está Marte e a esquerda Júpiter e Saturno.  Na figura inferior inclue-se o signo zodiacal em que encontram-se os planetas: Urano e Netuno em Aquário, em Touro, Júpiter e Saturno, o Sol, Mercúrio e Vênus no Leão e Marte no Escorpião (Utilizando software livre recalculei a Carta Astral desse mesmo dia e verifiquei que Vênus está em Virgo e não no Leão). 

Para mostrar de outra forma esta afirmação calculei a posição de todos os planetas (incluindo Plutão porque em 1999 era usado pelos astrólogos ainda)  o Sol e a Lua desde uma visão geocéntrica (que é a visão da Astrologia) para aquele 11 de agosto de 1999 as 11:00 UTC, momento próximo do máximo do eclipse solar, usando o programa Horizons, desenvolvido pelo JPL da NASA. Na figura abaixo coloco os planetas em órbita em torno da Terra na ordem  da  teoria geocéntrica, base da Astrologia.  Os planetas encontram-se a igual separação de seus vizinhos, também de acordo com a teoria astrológica que não considera distâncias.  Não coloquei as constelações porque, como deve saber o leitor, existe um descompasso com o Signo  por culpa da precessão dos equinócios.   


O círculo azul no centro é a Terra, os demais círculos vermelhos são os planetas, a Lua e o Sol.  As circunferências azul claro marcam as órbitas. O alinhamento em forma de cruz (retas verdes) resulta  mais aproximado que no esquema usado de referência. Plutão está completamente fora do mesmo, provavelmente por isso não foi incluso.  

Segue dizendo o site:
Ainda, a sombra que projeta a lua sobre a terra atravesou Europa passando por Kosovo, depois por Meio Oriente, por Irão e Iraq e posteriormente foi  a Paquistão e Índia, con sua sombra parecia prever uma área de guerras e conflitos.
Ilustram o texto mapas com o percurso da totalidade do eclipse tomados de um site da NASA. Reprodusco abaixo os mapas desse site.  O eclipse começou no Oceano Atlántico Norte e foi passando por Europa Central, ingressando  pelo sul do Reino Unido para seguir pelo norte da Frânça, Alemânha, Austria, Hungria, Romênia e Bulgária (eu não vejo que passe por Kosovo).



No Méio Oriente passou por Turquia, o norte de Iraq e Irão.


Por último atravessou o sul do Paquistão e a região central da Índia, concluindo no Oceano Índico.


Este eclipse não teve particularidade astronômica alguma. Sua duração, no momento da totalidade, foi inferior a 2 minutos (os de maior duração chegam a mais de 7 minutos).  O percurso que supostamente privilegia lugares de conflitividade, na realidade se mostra bem ao contrário: passou por doze países, sendo os conflitivos apenas três: Iraq, Irão e Paquistão. Por Iraq passou muito ao norte, por Paquistán muiyo ao sul.  Como mensagem parece muito sutil (por não dizer, bastante fraco). 

Os maias conheciam os eclipses, claro, mas não existe prova nenhuma que tivessem a capacidade de prevê-los. Então, de onde pode-se supõr que eram capazes de fazer profecias por meio de eclipses?  Esta é uma profecia mais sem nenhuma base científica, histórica ou arqueológica.

miércoles, 4 de enero de 2012

As 7 Profecias Maias: I - O Aumento da atividade solar

No site www.profecias-mayas.com são relacionadas as 7 Profecias Maias (não achei um site similar em português).  Ali está escrito que os maias deixaram espalhadas suas profecias em diferentes monumentos, pedras e códices,  mesmo nos Chilam Balam, livros escritos depois da ocupação española a territorio maia, dos que falamos num post anterior.  No entanto o texto do site não diz por que são sete, nem refere com precisão de onde foram extraidas. 

A Primeira Profecia fala de um ciclo solar em sintonia com o jato galático. Textualmente traduzo parte do texto (acessado em 3 de janeiro de 2012)

Os Maias sabiam que nosso sol (eles o chamavam kinich-Ahau) é um ser vivo que respira e que cada determinado tempo sincroniza-se com o enorme organismo em que existe, que ao receber uma faisca de luz do centro da galáxia brilha mais intensamente, produzindo na superficie o que os nossos cientistas chaman de erupções solares e mudanças magnéticas, eles dizem que isto acontece a cada 5.125 anos, que a Terra  vê-se afetada pelas mudanças no Sol por causa de um deslocamento de seu eixo de rotação, e profetizaram que a partir desse movimento produziriam-se grandes cataclismos, para os maias os processos universais como a respiração da galáxia são cíclicos e nunca cambiam, o que muda é a conciência do homem que passa através deles, sempre num processo de aperfeiçoamento. Baseados em suas observações os Maias profetizaram que a partir da data de sua civilização desde o 4 Ahau 8 Cumku, quer dizer, desde o ano 3113 AC, 5.125 no futuro ou seja em 21 de dezembro do ano 2012, o Sol, quando receber um forte raio sincronizador proveniente do centro da galáxia, mudará sua polaridade e produzirá uma gigantesca chamarada radiante.
É interessante o texto porque faz referência a questões muito científicas, não apenas a temas simbólicos.  O Sol, diz esta profecia, sincroniza-se com a Galáxia (e aqui escrevo com maiúsculas porque trata-se da Vía Láctea) por meio de uma faisca e começa a produzir o que os cientistas chaman de erupções solares, mudanças magnéticas e um deslocamento do eixo de rotação terrestre. Esta sincronização acontece a cada 5.125 anos (os 13 baktunes da Contagem Longa maia).  

O Sol, efetivamente, padece de erupções e também  de fulgurações ou explosões. No entanto seu ciclo não é de 5.125 anos, mas de, aproximadamente, 11 anos.  A origem deste ciclo de atividade está em processos internos que em conjunto levan o nome de Dînamo Solar.  E mesmo com bastante imprecisão podemos calcular razoavelmente bem como evoluciona.  Eu diria que a sua predição melhora a cada década.  Consequência deste ciclo é a comutação do Campo Magnético solar, que inverte sua polaridade, ou seja, o Norte torna-se Sul e vice versa.  

E qual é a relação com a Vía Láctea?  Nenhuma.  Partindo do fato que a Vía Láctea no possui jato nenhum em seu centro como outros tipos de galáxia sim (as chamadas Galáxias de Núcleo Ativo), mal poderia enviar alguma faisca.  O núcleo de nossa Galáxia tem, claro, um brilho (embora a luz normal, aquela que apreciamos por meio de  nossos olhos, fica absorvida pela poeira do caminho) mas nenhum período de 5.125 anos é conhecido.  Diria ainda mais, nenhum ciclo é conhecido. 

O Campo Magnético terrestre também sofre inversões como o solar, mas diferentemente deste, seus ciclos são desconhecidos.  Em qualquier caso, sabemos que aconteceu mitas vezes no passado e que entre cada inversão passam-se centenas de milhares de anos.  Aqui tampouco achamos uma relação com a Contagem Longa maia e seu ciclo de 5.125 anos.  E por último, o eixo terrestre não sofre nenhum desvio súbito. A direção do mesmo vai mudando suavemente dando uma volta inteira em mais ou menos 26.000 anos, este período é conhecido como Precessão dos Equinócios.


Segue dizendo o site das profecias maias:

A primeira profecia nos fala do tempo do não-tempo, um periodo de 20 anos chamados por eles um katún, os últimos 20 anos desse grande ciclo solar de 5.125 anos, quer dizer desde 1992 até o ano 2012. Profetizaram que até esse tempo manchas do vento solar cada vez mais intensas apareceriam no Sol, desde 1992 a humanidade entraria num último período de grandes aprendizados, grandes mudanças.
Neste trecho afirma-se que a atividade solar incrementou-se desde 1992 até agora e que continuará essa tendência.  Para verificar esta afirmação preparei um gráfico.  Foi feito com dados do NOAA, um órgão norte-americano oficial.  Na figura abaixo podem ver o resultado. 

A curva vermelha representa o Índice de Manchas, um número elaborado diariamente que representa a quantidade de manchas na superficie solar (podem achar aqui a fórmula). O valor do índice pode ser lido no eixo vertical (ordenadas) enquanto que no horizontal (abcissas) está o ano.  Aqui estou graficando a média mensal entre finais de 1991 e meados de 2011.  O primeiro que vemos é a variação entre quase 0 e 220, que é produzida pelo Ciclo Solar.   Em 1992 o Sol estava próximo do máximo e chegou a ter um índice de mais de 200. Em 2001 aconteceu o seguinte máximo, mas o índice não chegou no mesmo patamar de 11 anos antes. Mais, durante o mínimo de 2008 chegou a ter um valor de quase 0 (zero) coisa que não aconteceu durante o mínimo anterior em 1996 cujo índice ficou em torno de 10.  O final da curva vermelha é meados de 2011, muito perto do temido 2012.  Embora a atividade solar aumentou, está longe de ser preocupante. Muitos cientistas esperam que este ciclo tenha um máximo de menor intensidade que o anterior. Ou seja, ao contrário do que a primeira profecia maia afirma,  a tendência é uma gradual diminuição da atividade solar.

Em síntese, nem o Sol sincroniza-se com uma inexistente faisca galática, nem a atividade solar está aumentando.  A profecia, vemos, não tem nenhum sustento científico e pelo contrário oferece informações erradas ao leitor.