Tal como podia ser visto nos últimos meses, a atividade solar está num nível muito baixo, e os novos prognósticos acreditam que o próximo máximo será entre maio de 2013 e maio de 2014. Não apenas isto, mas será um máximo diminuido, com escasa atividade. A figura abaixo, realizada pelo Centro de Predição do Clima Espacial da Administração Nacional do Oceano e a Atmosfera (USA), mostra a progressão esperada para o novo ciclo solar. Como se ve, a intensidade geral do ciclo será metade da do anterior.
De duas uma, ou os maias não sabíam física solar, ou o Sol não está coordenado con o calendário maia. Mas em 21 de dezembro de 2012 nada de interessante acontecerá com o Sol.
Mais provavelmente, nossos profetas do apocalipsis, mais uma vez, lançaram ameaças vazías e infundadas ao ar. Michio Kaku pode também ficar tranquilo, não será desta vez que teremos uma explosão solar como a de 1859.
lunes, 18 de mayo de 2009
sábado, 16 de mayo de 2009
Cosmos
O ano, 1981. Eu era um aspirante de estudante do curso de física da Universidad de Buenos Aires. Morava no apertado apartamento de meus queridos e saudosos tíos Morocha y Hugo. Um moleque de 19 anos que aspirava dedicar-se às ciências, enquanto realizava tareas administrativas num prédio da zona de Retiro em Buenos Aires. Com muita propaganda anunciou a televisão que iria passar uma série documental sobre astronomia chamada Cosmos. Parecia um progama interessante. Meu primo Alberto me invitou a assisti-la em sua casa, durante o jantar, acredito que ia toda quinta as 9 da noite. A comida extendia-se bem depois da emissão do programa, em meio a discusões quase-filosóficas e especulações meio-científicas. Cosmos virou a minha cabeça.
Permitam uma localização histórica a quem veio depois no mundo. Internet não era uma palavra aínda, pelo menos não para a maioria do mundo. Os computadores tinham tamanhos comparáveis a uma sala. A divulgação científica era escassa. A última grande missão ao espaço era o envio de duas sondas a Marte de nome Viking. O maior telescópio continuava a ser o de Monte Palomar, com pouco mais de 5 m de diâmetro. (Estava também o soviético do Cáucasso, de 6 m, mas de performance tão ruim que nunca produziu um resultado científico importante.)
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| Carl Sagan frente a uma das antenas do Very Large Array em New Mexico (USA) |
O documental centrava-se na figura de Carl Sagan, um astrofísico de importantes contribuções e que gostava dizer que era um exobiólogo. Tudo podía ser relacionado ao fluir do Cosmos, a física, a matemática, a vida, a história do Mundo. De fato o título completo era: Cosmos: Uma viagem pessoal. Treze capítulos (talvez quis mostrar Sagan que não era supersticioso?) com títulos tão sugestivos como As Margens do Oceâno Cósmico, Uma Voz na Fuga Cósmica ou Quem fala pela Terra? formavam a coleção completa que depois foi vendida como livro, em fitas VHS, e agora DVD. O relato de Sagan era fluido e nos trazia uma mensagem ao mesmo tempo positivista e racional como esperançada e moral. Sagan era un apóstolo da ciência na que acreditava apaixonadamente. A série contava também com uma seleção musical excelentemente escolhida que incluia a Shostakovich, Mozart, Pachelbel e a famosa peça minimalista Alpha de Vangelis, dentre outras. A isto adicionava-se um trabalho artístico dirigido pelo genial Jon Lomberg, que em alguns casos parece ter previsto as imágens que tomou o Hubble Space Telescope mais de 10 anos despois. O formato em geral, invitava à reflexão, longe dos nervosos documentais Videoclip-like que mais confundem do que esclarecem.
Leio hoje no jornal que completa 29 anos a estreia da serie nos USA e aquí no Brasil já preparam as celebrações dos 30. Na Argentina a série é repetida no canal público Encuentro. Me alegra. A geração Cosmos, a qual eu pertenço, muito lhe deve. Como também à série Connections de James Burke, assim como aos films Tron, Blade Runner (dentre outros), às novelas da n-logia Fundação (Asimov), ao Cubo Mágico e às calculadoras programáveis HP. (Eu adiciono meu queridíssimo e não tão popular Stanislaw Lem cujas novelas Investigação e Febre do Feno me fascinaram enquanto que Ciberíada me fez rir até o desmaio).
É uma excelente notícia saber que Sagan ainda segue fazendo escola. Aínda mais no Ano Internacional da Astronomia. Deixo aqui a primeira parte do capítulo de apresentação. espero que o desfrutem tanto quanto eu.
martes, 5 de mayo de 2009
Confusões Eruditas
Hoje me deparei com o siguente trecho de um programa de notícias norte-americano: link.
Para aqueles que tiveram problemas para entender o inglês, resumo: A partir do cálculo da energia liberada durante uma explosão solar, seguida muito provavelmente de uma ejeção coronal de massa, acontecida em 1859, especula-se quais seriam os danos potenciais que poderia trazer o mesmo fenômeno hoje. Não me interessa entrar no detalhe de saber se o cálculo é correto ou não. Entretanto gostaria de dar um contexto fenomenológico, histórico e social.
A explosão do 1ro de septembro de 1859, que parece referir o astrofísico entrevistado, foi uma das mais intensas já observadas e deu origem ao estudo do fenômeno em geral (nunca antes tinham sido observadas com telescópios). Apesar de contar com poucos instrumentos na época, podemos saber agora que a mesma provocou uma tempestade magnética muito intensa na Terra. Michio Kaku, o astrofísico entrevistado, diz que agora foram realizadas estimações da energia liberada por aquela explosão e que a partir desses cálculos conclui-se que se voltasse a acontecer poderia gerar um prejuizo econômico equivalente a 10 furacões Katrina. Com o próximo máximo de atividade solar previsto para 2012, ele alerta para tomar medidas preventivas urgentemente.
Pela estrutura do programa, tudo indica que se trata daqueles noticiários (shows) sensacionalistas. Mas desta vez entrevistou um astrofísico de nome. Quem é Michio Kaku? Trata-se efetivamente de um físico teórico que trabalha em teoria de cordas, e se dedicou a divulgação científica ultimamente con não pouco sucesso. Tanta exposição ao público parece te-lo tornado promíscuo evidentemente, e assim não teme lançar uma afirmação, a primeira vista, infundada. Algum reflexo de cautela lhe faz repetir duas vezes que o fenônemo poderia acontecer novamente talvez, talvez (perhaps, perhaps diz em inglês).
Sim, é infundada, porque, independentemente do que a explosão de 1ro de seiembro de 1859 poderia fazer hoje, a verdade é que não temos como prever se outra explosão como aquela poderia acontecer nem quando. É como se eu amanhã afirmasse que devemos tomar medidas urgentes porque um vulcão gigantesco pode entrar em erupção e suas cinzas criar um inverno global prolongado. Isto já passou, por que não poderia voltar a acontecer?
Depois daquela primeira explosão solar de 1859, observamos milhares mais. Nunca, nenhuma outra teve esse poder. E aínda mais, o evento aconteceu durante um ciclo de atividade solar que não foi dos mais intensos. Tivemos na década de 1950 um dos períodos mais ativos dos últimos 11.000 anos. E não se registruo uma explosão como a de 1859. Mas a ignorância nos leva justamente a intentar conhece-las melhor, para evitar desastres futuros. Faz anos que todos os países investem muito dinheiro para poder detectar prematuramente ou prever estes fenômenos que são englobados no chamado Clima Espacial.
Depois daquela primeira explosão solar de 1859, observamos milhares mais. Nunca, nenhuma outra teve esse poder. E aínda mais, o evento aconteceu durante um ciclo de atividade solar que não foi dos mais intensos. Tivemos na década de 1950 um dos períodos mais ativos dos últimos 11.000 anos. E não se registruo uma explosão como a de 1859. Mas a ignorância nos leva justamente a intentar conhece-las melhor, para evitar desastres futuros. Faz anos que todos os países investem muito dinheiro para poder detectar prematuramente ou prever estes fenômenos que são englobados no chamado Clima Espacial.
Uma pena, um desserviço, quem tem que trazer tranquilidade à população, parece abusar dela e de sua credulidade. A dialética do medo me resulta imoral.
sábado, 2 de mayo de 2009
2012 - Uma Correção
Na entrada sobre 2012, eu disse que o calendário maia acabaria uma Contagem (ou Ciclo) Longo no 21 de dezembro de 2012. Não é assim. A origem deste novo Apocalipse é uma re-interpretação do Popol-Vu, livro que conta a criação do mundo segundo os antiguos maias. Segundo o livro estamos vivendo o quarto Ciclo Longo que começou um 13,0,0,0,0. Segundo autores New Age, o quarto Ciclo acabará igual que o terceiro. O próximo 13,0,0,0,0 seria em 21 de dezembro de 2012.
O calendário maia seria um sistema quase-vigesimal, ou seja, de base 20:
O calendário maia seria um sistema quase-vigesimal, ou seja, de base 20:
| 20 kins (días) | = 1 uinal |
| 18 uinal | = 1Tun |
| 20 Tun | = 1 Katun |
| 20 Katun | = 1 Baktun |
Desta forma, o maior número que pode ser criado é 20 baktun = 20x20x20x18x20 kin = 2.880.000 kin (días), uns 8.885 anos solares .
De qualquer forma me pergunto, por qué espera-se que o Ciclo Longo atual tenha o mesmo fim que o anterior? A isto me refiro quando digo que se trata de re-interpretações de antigas tradições, contaminadas seguramente por toda a nossa cultura moderna.
viernes, 1 de mayo de 2009
O Calendário Maia
Escutei muitas vezes dizer que o Calendário Maia é muito mais preciso que o nosso. Quando pensamos o que a nossa tecnologia é capaz fazer, a comparação de calendários dá a entender que os maias possuiam uma tecnologia ainda superior. Não quero entrar aqui no debate de se o calendário maia era melhor ou pior que o nosso. Prefiro colocar uma perspectiva histórica.
O calendário em uso no mundo inteiro, chamado Gregoriano em homenagem ao papa Gregório XIII, foi instituido pelo máximo prelado da Igreja Católica em outubro de 1582. Apenas 40 anos antes tinha falecido Nicolau Copérnico (1543). Galileo Galilei tinha 18 anos, Johannes Kepler apenas 13, Isaac Newton ainda não era nascido. O telescópio era desconhecido, e os relógios altamente imprecisos. A mudança no calendário Juliano foi solicitada pelo Concílio de Trento (1563), passou por um longo processo até ser instaurado em 1582 e alguns dos maiores astrônomos da época, como Maestlin (mestre de Kepler) e Joseph Scaliger, consideraram que era péssimo. Apenas o prestígio de Christopher Clavius o manteve vivo.
Na verdade um calendário não precisa ser muito acurado. Ele serve apenas para que os agricultores tenham uma referência razoável da época do ano e poder assim decidir quando semear, e quando colher. Para a Igregia Católica, o calendário devia marcar a época da Páscoa, atada às lunações e o equinócio. Os calendários são um reflexo de nossa tradição cultural, social e religiosa.
No entanto uma espaçonave com destino a um outro planeta deve conhecer o tempo com precisão melhor que 1 segundo. Então, se consideramos o Tempo Atômico Internacional (TAI) o calendário de nossa era tecnológica, bem, ele é bastante mais acurado que o Maia.
Na verdade um calendário não precisa ser muito acurado. Ele serve apenas para que os agricultores tenham uma referência razoável da época do ano e poder assim decidir quando semear, e quando colher. Para a Igregia Católica, o calendário devia marcar a época da Páscoa, atada às lunações e o equinócio. Os calendários são um reflexo de nossa tradição cultural, social e religiosa.
No entanto uma espaçonave com destino a um outro planeta deve conhecer o tempo com precisão melhor que 1 segundo. Então, se consideramos o Tempo Atômico Internacional (TAI) o calendário de nossa era tecnológica, bem, ele é bastante mais acurado que o Maia.
2012
Áspero é o rosto de Deus este dia e ásperas as coisas que traz.
Registro maia para o dia 5 Ahau.
Registro maia para o dia 5 Ahau.
Em Calendário Gregoriano 21 de dezembro de 2012, 11:11 GMT, em Calendário Maia 13,0,0,0,0 e em Dia Juliano 2.456.282,9659722229. Esta é a cifra da nova Besta, aquela que virá para acabar com a humanidade. Não será um monstro de 7 cabeças e 10 chifres desta vez. Dizem que três conjunções nos aguardam quando chegarmos ao fim da contagem longa do calendário maia: o solstício, um alinhamento com o plano galático, o máximo da atividade solar. E que acontecerá nesse dia: o Fin ou um Novo Início?
Desde que sou criança leio sobre preságios de Fim de Mundo. Cresci com o temor de que uma guerra nuclear acabara com la civilização. E confesso que durante minha infância e juventude nunca fiz planos para além do ano 2000. Era intituivo, não tinha nada de racional.
Em certa forma é razoável a preocupação com o Fim do Mundo. Somos mortais, nossa única certeza é a de nossa própria morte. Ao longo da vida vamos, primeiro nos acostumando à ideia de morrer, depois, nos preparando de alguma maneira para nosso último ato. Preve-lo, pensa-lo, é uma forma de vence-lo, talvez. Assim também atuamos em relação ao Mundo. Antecipar seu fim nos dá uma espécie de tranquilidade.
E agora estamos sendo colocados diante de um novo marco. Depois de vencer a pasagem do milênio com certa integridade, espera-nos outra data magna em poucos anos. O que ela tem de particular? Bom, simplesmente que uma folha do calendário maia deve ser descartada, e começa uma espécie de Ano Novo. Um ano de 1.872.00 dias que, segundo arqueólogos modernos, teria começado em 13 de agosto de 3114 A.C. Como todo Ano Novo, seguramente os maias temeram o que viesse depois. Deixaram presságios, fórmulas para esperar um acontecimento tão importante. Promessas para melhorar nossa sociedade, e votos para terminar com os medos e as doenças. Talvez pensaram seriamente que viria um Fim de Mundo. De qualquer forma, mais de 1000 anos os separava da data temida. 2012 era para eles tão distante como o Big Bang é para nós.
A cultura que gerou esta tradição hoje não existe mais (embora os maias sim continuam a existir, como podemos comprovar viajando a México, Guatemala ou Belize), mas nossa sociedade neurótica de medos, recuperou seus mitos. Quem sabe se os interpretamos corretamente. As crenças só têm sentido dentro do ambiente em que foram criadas.
Enquanto isso Google informa que mais de 1 milhão de páginas de Internet contêm as palavras 2012 e apocalipse (procurei em português, espanhol e inglês). Contadores regressivos mostram quantos dias, horas, minutos e segundos faltam. Intérpretes competem por dar a melhor versão.
E eu observo este quadro um tanto desolador e me pergunto como evitar tanta ansiedade desnecessária...
miércoles, 29 de abril de 2009
Credo
Debes creer me digo
y creo en el ombligo que me vio nacer,
en una yema batida para cinco
y en la máquina de coser,
Singer se llama y seguirá viviendo
que no cosiendo después del ombligo muerto.
Muerto?
Ya no morirá. Ha dado cinco ombligos nuevos
y uno de ellos otros cuatro
y dos mas, dos cada uno.
Asi seguirá hasta que una píldora
mate al amor
o un hambre mate a la píldora
o una bomba mate a los dos.
Alberto Giménez de Castro - circa 1968
PS.: Desculpem que não traduza o texto, mas me resultaria muito difícil. De todo modo dá para entender, não dá?
y creo en el ombligo que me vio nacer,
en una yema batida para cinco
y en la máquina de coser,
Singer se llama y seguirá viviendo
que no cosiendo después del ombligo muerto.
Muerto?
Ya no morirá. Ha dado cinco ombligos nuevos
y uno de ellos otros cuatro
y dos mas, dos cada uno.
Asi seguirá hasta que una píldora
mate al amor
o un hambre mate a la píldora
o una bomba mate a los dos.
Alberto Giménez de Castro - circa 1968
PS.: Desculpem que não traduza o texto, mas me resultaria muito difícil. De todo modo dá para entender, não dá?
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