viernes, 28 de mayo de 2010

Celulares desligados por causa da atividade Solar

Em 18 de maio de 2010, durante o programa "Bom Dia Brasil" da TV Globo, foi apresentada a seguinte reportagem:

A força do sol pode até desligar aparelhos eletrônicos.

O ano passado comentamos uma reportagem semelhante aparecida na TV americana chamando-a de Confusões Eruditas, porque quem dava a mensagem apocalíptica era o divulgador científico Michio Kaku. Na reportagem da Globo, o texto só não parece apocalíptico porque as condutoras Renata Vasconsellos e Michelle Loreto mostram seus sorrisos sedutores, e o que em princípio é para falar sobre as consequências negativas do Sol na Terra muda para mostrar os benefícios do Sol na vida. Em síntese, quem não está por dentro das pesquisas recebeu duas conclusões contraditórias: o Sol faz mal, o Sol faz bem. Mas, deixem analisar melhor o conteúdo levado ao ar pela Globo.

Em primeiro lugar, a pesquisadora consultada se chama Adriana Válio e não Vale como foi publicado. Adriana é uma colega minha de mais de uma década de trabalho, primeiro na Unicamp e agora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie. Ela é autora do livro Nossa Estrela o Sol, publicado em 2006. Como eu, Adriana analisa a atividade solar em ondas de rádio. Conheço então o trabalho e as ideias dela a respeito das consequências solares, e sei o cuidado que toma em realizar afirmações em público para não ser mal interpretada. Por exemplo, o que ela escreveu no seu próprio livro

Capítulo 6.4, Satélites e Astronautas em órbita.

Então, de onde saiu isso de desligar aparelhos? Não foi de sua boca.

A TV Globo, com a Michelle Loreto a frente, veio fazer a entrevista no nosso centro e ficaram uma manhã inteira conversando com Adriana. Daquelas três horas de filmações, apenas 30 segundos foram emitidos. E Adriana não diz que os celulares ou GPS possam ser desligados. Ela até comenta que as maiores consequẽncias seriam para as latitudes mais altas. O que é contraditório com a afirmação de que os satélites ficariam desligados, já que este seria um fenômeno de escala global independente da latitude.

A estrutura da reportagem é clara. A notícia, de origem desconhecida, é que os celulares serão desligados durante as tempestades solares de 2013. A Globo entrevista um pesquisador que não diz que isto vai acontecer, mas que fala em consequências (outras, censuradas pela Globo) para a Terra. A conclusão do televidente será que Adriana disse que os celulares vão desligar em 2013. Este recurso, muito usado em jornalismo, é completamente anti-ético.

Ora, mais uma vez, o máximo de atividade solar está se aproximando (2013-2014), mas vem fraquinho, triste, murcho. Teremos um maximínimo. O anterior, acontecido entre 2001 e 2003, mais intenso que o próximo, teve algumas consequências nos GPS, mas que não chegaram a desliga-los. Nossos próprios equipamentos GPS sofreram irregularidades na contagem do tempo, imediatamente auto-corrigidos. Mas nada apocalíptico. Nenhum fim de mundo.

Claro que sempre pode vir alguém e dizer, mas, se uma bruta explosão solar acontecer, não poderia apagar literalmente os satélites GPS e de comunicações? A resposta, obviamente, é sim. Aliás, poderiamos até conjecturar numa explosão solar grande o suficiente para varrer todo e qualquer resíduo de vida na Terra. Mas, até onde vai nosso conhecimento, evento tão violento tem chances insignificantes de acontecer.

Por enquanto estamos preocupados com o raquitismo atual do Sol. Armagedon só existe na cabeça do editor jornalístico da TV Globo.

PS.: A reportagem diz que a temperatura da superficie solar é de 5.500 graus Centígrados. Errado, são aproximadamente 5.750 graus Kelvin, ou quase 6.000 Centígrados.

martes, 29 de diciembre de 2009

Apocalípse 2000

Há exatos 10 anos proliferava no Mundo a visão de um próximo Apocalípse. O ano 2000 se aproximava e com ele infaustas premonições eram difundidas sem cesar. Não interessa já que alguns corregissem o início do milênio, argumentando que só o ano 2001 era o portal do século XXI. Na verdade não tem relevância alguma essa pequena correção, está suficientemente demonstrado que Cristo não nasceu no ano 1 da Era Cristiana (que contradição...!) mas provavelmente varios anos antes.

Há 10 anos festejávamos o fato de trocar o número 1 da frente pelo 2 e isto, de não acontecer um câmbio de calendários, o fariamos por 1000 anos mais. Não tinha por trás desta mudança outra transcendência que a de ter escolhido o sistema decimal de notação. E esta eleição, segundo alguns, devemos ao fato de termos 10 dedos, e segundo outros ao mero acaso.

Os apocalípticos de turno, no entanto, não duvidaram em lançar as mais assutadoras previsões para o ano que começaria. Uma delas era apenas técnica: os computadores receberam uma pesada herança de sua época de espartanos recursos: a pouca memória do sistema obrigou os programadores a abreviar os anos aos dois algarismos menos significativos e assim a (19)99 seguiria (20)00. Então, o tempo transcorrido entre um dia do ano de 1999 e outro do ano de 2000 seria de mais de 99 anos negativos para um computador. Este era o famossissimo Y2K Problem. O defeito poderia produzir um efeito em cascata e um colapso generalizado do sistema bancário, financeiro e comercial era temido. Nada disto aconteceu simplesmente porque as corporações tomaram providências e os anos prévios investiram o bastante para evitar problemas*.

O ano 2000 trouxe de presente um fenômeno astronômico que acontece não muito frequentemente, quer dizer, a cada 40 anos aproximadamente: o alinhamento planetário. Na verdade nunca acontece um alinhamento perfeito, este é praticamente impossível porque as órbitas não estão no mesmo plano. Mas considerando o período orbital dos planetas mais lentos, Saturno e Júpiter (descarto Urano e Netuno porque não são vissíveis a olho nû e Plutão porque nem sequer é planeta), 40 anos é o tempo que leva encontrar-se próximos um do outro e essa proximidade deve durar um par de anos pelo menos dada a lentidão de seus movimentos. O período de Marte, de pouco mais de 2 anos, faz com que se agregue a esse encontro em algúm momento. Vênus (~200 dias de periodo) e Mercúrio (~ 90 dias) passarão várias vezes frente aos gigantes. Podemos adicionar a Lua (~28 dias) e a visão noturna será perfeita. Na foto abaixo vemos uma bela conjunção onde só falta Mercúrio.



Fotografia da conjunção de 14 de maio de 2002. Peço desculpas a seu autor porque perdi a referência...


No 5 de maio de 2000 tivemos uma tal conjunção planetária, no entanto esta não seria a melhor. Pelo contrário a de 14 de maio de 2002 seria a que mais objetos simultaneamente colocaria muito próximos. Ou seja, o Apocalípse 2000 viria demorado por dois anos. Além do mais não se tratava de um fenômeno único em milhares de anos, todo contrário, é muito recorrente e nem sequer poderia se dizer que foi um alinhamento perfeito, vejam abaixo a simulação de uma viagem espacial que realizei mostrando como se vê 3D o encontro celestial de maio de 2002.




Simulação 3D de uma viagem pelo Sistema Solar em14 de maio de 2002. Partimos da Terra e nos afastamos para ver a órbita dos planetas até Saturno. Pode-se ver que os planetas não ficam sobre uma linha reta e que seus planos orbitais são também diferentes. A simulação foi realizada por meio do programa Celestia


Lembro que naquela época muitos se preparavam para o magno acontecimento. Em Brasil, onde eu morava, teve muita gente que foi até o planalto em torno de Brasilia porque diziam que alí é uma região cósmica. O certo é que o alinhamento de maio de 2000 veio e foi embora, também o de 2002. Os anos foram passando. E hoje celebramos os 10 anos do Terceiro Milênio.

Os arautos do Apocalipse seguem tocando seus trompetes. No entanto ainda estamos aqui. E não duvido que aqui estarão os descendentes de nossos descendentes, para receber o Quarto Milênio.


* Para o ano de 2038 se espera um problema semelhante ao Y2K. O tempo é geralmente armazenado em unidades de 32 bits e contado em segundos a partir do 1 de janeiro de 1970. Em 19 de janeiro de 2038 as 03:14:07 UTC todos os contadores baseados neste sistema voltarão a zero e os programas o interpretarão como 1 de janeiro de 1970. Este problema é conhecido como Y2K38.

miércoles, 16 de diciembre de 2009

Apocalípse 2009

Este blog foi criado para falar de previsões de Fim de Mundo en geral. Neste momento, acompanhando as discusões de Copenhagen, milhões de pessõas no Mundo sofrem, se esperançam, se aterram com as consequências das possíveis decisões da conferência COP15. Hoje não há outro Apocalípse que o Apocalípse climático.

Tenho uma rejeiçaõ instintiva pela ideia do Apocalípse que me leva sempre a duvidar, sem importar a origem. Podem ser sumos sacerdotes de pias igrejas, gnósticos de conhecimentos herméticos ou cientistas de renomados diplomas. Aquí minhas razões.

1) Declaro que eu sou atéu do Apocalípse, deidade criada para someter pelo medo ao crédulo, ao medroso, ao carente de esperança.

2) A história mostra que todas as formas de conhecimento têm emitido já veredictos finais para a Humanidade e todas elas falharam até o momento. Incluida a ciência. Seria muito interessante (e será um projeto para aquele dia em que tenha o tempo que sempre me falta) realizar uma revisão de todas as previsões que a ciência fez do Fim dos Dias. Registro aqui apenas uma, a primeira que vem na minha cabeça: Thomas Robert Malthus defendeu com rigor científico a finais do século XVIII que haveria escassez de comida. Muitos deduziram a partir de suas ideias que a humanidade pereceria de fome. O Malthusianismo de vez em quando volta a cena, a última vez que eu lembre foi na década de '70, mas hoje maiormente foi esquecido porque fomos capazes de desenvolver técnicas para melhorar o rendimento da agricultura e porque em definitiva, a humanidade sempre encontra os caminhos de realimentação que fazem com que esse destino cruel não chegue.



Thomas Malthus
Thomas Robert Malthus (1766 - 1834), economista inglês, autor do Ensaio sobre o princípio da População (1798) que afirma que enquanto o número de habitantes cresce em progressão geométrica, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética. É fácil concluir a partir deste modelo que num futuro próximo se produzirá uma fome generalizada.

3) A teoria do câmbio climático não fecha. Quer dizer, não que não acredite no câmbio, o que não fecha é o Apocalípse. Mesmo considerando que as conclusões publicadas não sejam erradas e a temperatura subiu 0,74 ºC entre 1906 e 2005, as previsões do Painel Intergovernamental para o Câmbio Climático (IPCC) me parecem exageradas. Muitas delas são baseadas em modelos que sabemos incompletos. E que são incompletos sabemos porque nenhúm desses modelos foi capaz de prever com suficiente anticipação fatos como a nevada de 9 de julho de 2007 em Buenos Aires. E nenhum desses modelos é capaz de explicar por qué o gelo da Antártida não diminui, ou por qué não tem mais ciclones tropicais (fatos reconhecidos pelo próprio Painel). Colocado de outra forma, o modelo de produção de alimentos e de crescimentos da população de Malthus que comentei antes não estava errado, era, simplesmente, incompleto.

4) Existe uma ideia generalizada de que a Natureza mantem um equilíbrio que o homem veio a quebrar. O própio relatório do Painel diz textualmente, "O aquecimento atropogênico pode gerar alguns impactos abruptos e irreverssíveis, dependendo da taxa e magnitude do câmbio climático" (tradução minha). No entanto sabemos a vida é um processo termodinâmico irreverssível, e por isso está sempre fora do equilíbrio. O que chamamos equilíbrio não é mais que uma sensação criada por um olhar fugaz, tanto espacial quanto temporal.

Há 60.000 anos, a temperatura da superficie da Terra era 8ºC inferior à atual (uma mudança 10 vezes maior que a atual se aceitamos as conclusões do Painel). A vida não desapareceu e ainda mais, tinha um mamífero bípede, que vivia em cavernas e que provavelmente já tinha descoberto sua subjetividade, que hoje chamamos homo sapiens sapiens e que sobreviveu esse inverno extremo em condições bastante menos vantajosas que as atuais. Mais ainda, esse episódio, um prologandíssimo e severo inverno, aconteceu não uma mas quatro vezes nos últimos 400.000 anos. E o homo sapiens sapiens suportou as quatro vezes as condições extremas.

Não vou a entrar aqui na análise econômica e geopolítica relacionada ao Câmbio Climático. Me supera. Falo como um cientista acostumado a lidar com instrumentos de medição, dados e modelos. Não acredito que tudo seja uma mentira. Uma parte é verdade. Resta ainda saber qual.

PS.: Um dos textos mais angustiantes que li recentemente é o Relatório do IPCC. É de tirar o fólego. O Apocalípse de São João parece conto de crianças...

sábado, 14 de noviembre de 2009

2012: o site

Meu silêncio dos últimos meses tem um motivo. Depois de muito trabalho pude lançar em Internet ontem 13 de novembro de 2009, 2012: A Hora Última, um site inteiramente dedicado às profecias de fim de mundo para o ano 2012.

É um site em construção: como um blog irei colocando pouco a pouco distintos artigos que formam o plano da obra. A ideia é ir além de simplesmente analisar as profecias sobre 2012, ali também teremos seções que expliquem com clareza as questões científicas que abordam as profecias. E um pouco da história maia. Um site bilingüe (espanhol/português) como todos os que encarei ultimamente.

Convido todos a disfrutar deste novo projeto que, espero, sea de seu interesse.

lunes, 26 de octubre de 2009

2012 em 2220?

Como já relatamos muitas vezes antes, toda a ideia do apocalípse de 2012 começa com a verificação de que em 21 de dezembro desse ano, chegará ao fim a Contagem Longa, um dos ciclos do calendário maia. No entanto, um detalhe que deve ser considerado é que quando a chegada dos conquistadores espanhois, a Contagem Longa não era mais utilizada pelos maias, e, portanto, não é possível uma correlação direta entre esse calendário e o nosso.

A maior parte dos estudiosos modernos aceitam um trabalho feito por Goodman, Martínez e Thompson (conhecido por GMT). É este trabalho que sustenta a previsão do fim da Contagem Longa em 2012. Mas não é o único. Segundo um trabalho feito por Herbert Spinden, o início da contagem maia começa 260 anos antes, ou seja, o tão temido dia do Fim do Mundo já aconteceu e nem nos enteramos.

Outros trabalhos colocam a mesma data mais para frente: por exemplo George Vaillant adiciona 260 dias aos valores obtidos usando a correlação GMT. E agora acabo de tomar conhecimento de um trabalho de Andreas Fuls, geodesta do Instituto de Geodésia da Universidade Técnica de Berlin que diz que o fim da contagem longa será em 2220. Eu solicitei a Andreas cópia do trabalho para analisa-lo com calma.

De qualquer forma é interessante ver como não temos nem sequer certeza de quando o evento poderia acontecer, visto que os criadores do sistema já não estão mais entre nós. É importante ressaltar que nenhum dos profetas de 2012 é autenticamente maia. Mas, mesmo se eles fossem, a cultura maia cássica está maiormente perdida desde antes da chegada dos espanhois.

Tudo isso reforça minha convicção de que 2012 é apenas um mal entendido, uma interpretação errada de antigos costumes, talvez amplificado nesta época de fracas esperanças.

lunes, 3 de agosto de 2009

Os Maias não morreram

É uma ideia comum que os maias desapareceram antes da chegada dos espanhois. A ideia ganhou tanta força que hoje existem relatos (e até documentários de TV!!) que contam a história de um povo que abandona suas cidades e marcha para algum destino celestial.

No entanto, como já dissemos, os maias não morreram, nem sua cultura desapareceu. Estão alí, no mesmo lugar onde estavam 500 anos atrás quando chegaram os conquistadores.

Para ser concretos: o povo maia nunca organizou-se numa nação, mas em torno de Cidades Estado. Estas cidades tiveram seu apogéu e decadência. A mais esplendorosa de todas, Tikal, perdeu seu poder muitos anos antes da chegada dos espanhois. Mas a identidade maia, refletida na lingua, tradições, arte, etc, continuou. Foi arrasada pelos espanhois, e as doenças europeias. Mas apesar disto, hoje em dia mais de 6 milhões de pessoas falam maia, vivem en palhoças, tecem suas roupas e manufaturam sua baixela.

Infelizmente o povo maia que viveu relativamente a salvo nos últimos 500 anos é novamente ameaçado. A globalização está conseguindo mudar as roupas tecidas em suas próprias tecelagens por confecções chinesas, e as vasilhas de barro estão sendo substituidas por potes de plástico. Além da onda de pilhagem dos restos de seus antepassados para alimentar um voraz mercado negro arqueológico que está ameaçando seriamente sua memória.

Por qué tanto misterio então? Em parte foram os espanhois os responsáveis, quando dominaram o povo maia: mataram seus reis, sacerdotes e escribas. As chaves da escrita se perderam, também boa parte dos conhecimentos sobre a cultura. O povo se ajeitou de alguma maneira para transmitir as tradiçoes. Mas hoje en dia tem-se conseguido descrifrar grande parte dos hieróglifos maias. Se os caçadores de tesouros não chegam a acabar com o pouco que sobrou da época dourada da civilização maia, poderemos entender melhor sua história. E também a nossa.

lunes, 27 de julio de 2009

Nunca estivemos na Lua (!?)

Há 40 anos, eu era apenas uma criança, achava que hoje estaria de férias na Lua. Na verdade não achava, tinha certeza. Semelhante a de que amanhã estarei no escritório as 7 hs. Meu tio avô dizia que eram todas mentiras, inventos de Hollywood, ninguém tinha saido da Terra. Meu tio avô nasceu por volta de 1895, antes dos aviões, do telefone, da televisão... Não era de estranhar sua incredulidade. Mas, me preocupa a atual onda de ceticismo sobre a realidade de uma das maiores fazanhas da humanidade.

Uns anos atrás escrevi um artigo sobre o Falácia Lunar (em espanhol) que não vou repetir agora aqui. Prefiro continuar refletindo sobre o motivo pelo qual tanta gente é induzida a não acreditar. No início minha reação era de indignação, sentia que uns poucos conseguiram convencer outros muitos com fins puramente comerciais. Hoje tenho uma visão menos conspirativa, se existe tanta gente que não acredita, deve existir um motivo mais poderoso. Ao final de contas não creio que a imprensa tenha tanta capacidade de convencimento.

Eu acho que o motivo principal para não acreditar nas viagens para a Lua é que nunca mais retornamos. O programa Apollo começou em 1961 quando o presidente dos EUA, John F. Kennedy anunciou que antes do fim da década a NASA iria colocar um homem na Lua. No entanto, sua fase mais conhecida começa em dezembro de 1968, quando a missão Apollo 8 orbita a Lua. A glória viria com Apollo 11, em 20 de julho de 1969: dois astronautas pousam os pés sobre o empoeirado solo lunar. O interesse continua e até aumenta com a Apollo 13, que quase acabou em tragédia (interessante, esta é a única missão que mereceu um filme!). Depois virão várias missões mais, algumas com o simpático carrinho. Mas finalmente os espectadores começaram a se entediar, tornaram seu interesse para questões mais urgentes, como a Guerra do Vietnã ou o escándalo do Watergate. A economia norte-americana passava por uma crise, então em 1975 o programa foi encerrado. No entanto, o último vôo tripulado para a Lua partiu de Cabo Cañaveral em 7 de dezembro de 1972.

Ou seja que a fase gloriosa durou apenas quatro anos. Confesso que para mim foram infinitos dias, mas claro, era só uma criança. E hoje, a 40 anos daquelas epopeias, parece um lapso muito breve, um instante apenas. Esquecimos a quantidade de vezes que vimos as cenas dos poderosos motores do Saturno V lançando labaredas vermelhas (O verão do Foguete como poeticamente o chamou Ray Bradbury), os técnicos frente a seus consoles de controle em Houston, as pessoas em Cabo Cañaveral batendo palmas, braços ao alto.

Apesar de que a exploração espacial continuou, ela ficou estagnada. Como eu disse no início, eu esperava estar de férias na Lua hoje. Pelo contrário, lutamos há anos para construir uma estação espacial, bastante menos ambiciosa do que as que vimos nos filmes de 40 anos atrás. E se lembramos das duas tragédias do transbordador espacial, o balanço parece mostrar que a tecnologia ainda não se desenvolveu o suficiente. Ir ao espaço continua a ser un jogo arriscado e caríssimo que poucas nações conseguiram. Marte está muuuuuito longe... E as estrelas aínda num infinito inatingível.

Por sorte temos muito tempo pela frente. Sou um trekkie que acredita que o nosso destino está nas estrelas. É apenas questão de tempo e perseverânça.